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12/08/2008 03:05

FELIZ DIA DOS PAIS !

Neste ultimo domingo, curtí um dia dos pais especial. Pela primeira vez, comemorei o dia no palco e com meu pai e meus irmãos.
Apresentamos nosso espetáculo "Lucio 80-30" em Curitiba. Só um evento desses pra compensar o fato de passar o dia longe dos meus filhos amados. Mas valeu a pena!
Um abraço especial para todos que trabalharam conosco, com carinho e profissionalismo.
Ítalo, Luis, Furlan e toda a turma do Teatro Regina Vogue (que maravilha de teatro!)
Dia 22 de Agosto, estaremos nos apresentando em Vitória/ES.
Alô Capixabas! Estamos chegando pra fazer rir e emocionar.



enviada por Lucinho



13/06/2008 04:00
LUCIO 80 - 30 (ULTIMAS SEMANAS!)

Alô galera!
O nosso espetáculo vai até o final do mês de junho, no Teatro do Leblon, Rio.
Venham rir e se emocionar com a nossa história.
Abaixo, alguns dos queridos amigos que já foram nos prestigiar.
Espero vocês!












enviada por Lucinho



19/05/2008 17:22

KUNG FU PANDA NO FESTIVAL DE CANNES

Esta semana estive no 61ºFestival de Cannes, para a pré-estréia mundial do filme Kung Fu Panda, a nova animação da DreamWorks.
Eu faço a voz (em portugues) do Panda Po, apaixonado por Kung Fu.
Abaixo, eu e o mestre Jack Black (que faz a voz original), mostrando nossas habilidades marciais, durante evento do filme.
Um abraço para todos da Paramount e da DreamWorks, que fizeram com que eu me sentisse uma Cindrela em Cannes! Hahaha


enviada por Lucinho



02/05/2008 03:11

Poema das Mãos (atendendo a pedidos!)

Queridos visitantes.
Aí vai o "Poema das Mãos" em homenagem a Zélia e a todos que me pedem o monólogo pelo Brasil.
Lembrando que quem quiser assistir ao vivo ao poema pelo seu melhor interprete na lingua portuguesa, venha assistir ao nosso espetáculo abaixo mencionado.
Beijos para todos! Fiquem com Deus!

Monólogo das Mãos
De Ghiaroni

Para que servem as mãos?
As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder,
ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar,
confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar,
acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir,
reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever...
As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau,
salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário;
Múcio Cévola queimou a mão que, por engano não matou Porcena;
foi com as mãos que Jesus amparou Madalena;
com as mãos David agitou a funda que matou Golias;
as mãos dos Césares romanos decidiam a sorte dos gladiadores vencidos na arena;
Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência;
os anti-semitas marcavam a porta dos judeus com as mãos vermelhas como signo de morte!
Foi com as mãos que Judas pôs ao pescoço o laço que os outros Judas não encontram.
A mão serve para o herói empunhar a espada e o carrasco, a corda;
o operário construir e o burguês destruir;
o bom amparar e o justo punir;
o amante acariciar e o ladrão roubar;
o honesto trabalhar e o viciado jogar.
Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor ou uma granada, uma esmola ou uma bomba!
Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia!
As mãos fazem os salva-vidas e os canhões; os remédios e os venenos; os bálsamos e os instrumentos de tortura, a arma que fere e o bisturi que salva.
Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas protegemos a vista para ver melhor.
Os olhos dos cegos são as mãos.
As mãos na agulheta do submarino levam o homem para o fundo como os peixes;
no volante da aeronave atiram-nos para as alturas como os pássaros.
O autor do "Homo Rebus" lembra que a mão foi o primeiro prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida;
a primeira almofada para repousar a cabeça, a primeira arma e a primeira linguagem. Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas.
A mão aberta, acariciando, mostra a bondade;
fechada e levantada mostra a força e o poder;
empunha a espada a pena e a cruz!
Modela os mármores e os bronzes;
da cor às telas e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia nas formas eternas da beleza. Humilde e poderosa no trabalho, cria a riqueza; doce e piedosa nos afetos medica as chagas, conforta os aflitos e protege os fracos.
O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão de amor, o melhor pacto de amizade ou um juramento de felicidade.
O noivo para casar-se pede a mão de sua amada;
Jesus abençoava com a s mãos;
as mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as mãos as cabeças inocentes.
Nas despedidas, a gente parte, mas a mão fica, ainda por muito tempo agitando o lenço no ar. Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias.
E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre ainda as mãos prevalecem.
Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino.
E no fim da vida, quando os olhos fecham e o coração pára, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera que continuam na morte as funções da vida.
E as mãos dos amigos nos conduzem...
E as mãos dos coveiros nos enterram!


enviada por Lucinho



16/03/2008 03:17
Alô galera, não percam a minha peça "Lucio 80-30". Uma declaração de amor á todos os pais e filhos!



enviada por Lucinho



13/12/2007 04:15
Jogando Feio
Lúcio Mauro Filho

No ultimo domingo, assisti junto a um grupo de amigos ao calvário corintiano. Guardadas as rivalidades que tantas paixões despertam em nós torcedores, a verdade é que uma torcida como a do Corintians não merece um castigo desses. Não a torcida.
Lembro-me quando a ameaça de rebaixamento virou rotina para o Flamengo, meu time do coração, que cheguei a me perguntar se uma temporada na segunda divisão não seria uma boa forma de causar uma reviravolta ética no clube da Gávea. Afinal de contas, um time com quarenta milhões de torcedores apaixonados, deveria estar figurando entre os mais ricos do mundo e consequentemente disputando títulos, não passando vergonha em campo por ter virado um grande balcão de negócios.
Infelizmente, essa é a cara do futebol brasileiro. Essa é a cara do Brasil.
Em vez de buscar a transparência e a competência para transformar o campeonato Brasileiro numa “NBA” do futebol, já que, comprovadamente os melhores do mundo saem daqui, nossos “dirigentes” fazem de tudo para proteger e manter no poder, figurões que em qualquer país decente estariam atrás das grades.
O caso do Coríntians vem embalado pelos escândalos da administração do clube. Falcatruas tão grandes que geraram um pedido de CPI. E o que fizeram nossos políticos?
Em troca de uma Copa do Mundo no país, governadores, deputados e senadores sepultaram o pedido de CPI que investigaria um dos maiores escândalos do futebol brasileiro (envolvendo inclusive, um título nacional!).
E foram todos para a Suíça numa caravana de envergonhar qualquer cidadão sério desse país.
Quer dizer que para fazer uma Copa aqui, vale tudo?
Não seria melhor começarmos a punir quem denigre a imagem do esporte? Ou vamos fingir que não é com agente? A torcida do Coríntians não vai conseguir fingir. Nem deve.
A lição está aí, para ser tomada da forma mais cruel. E tem que ser aprendida não só pelos torcedores do Timão, mas por toda a torcida brasileira.
Que país queremos mostrar ao mundo em 2014? O país do futebol-arte, da torcida apaixonada, dos grandes craques ou o país da falcatrua, da falta de transparência da impunidade?
Acho que esse é um bom momento para pensarmos nisso. Dizem que o brasileiro só é capaz de se mobilizar quando o assunto interessa. Que tal começarmos a mudar a imagem do país através do futebol que é um dos grandes assuntos da nação. O futebol brasileiro com sua administração é uma das maiores caixas pretas do país. Enquanto não for aberta, continuaremos vendo nossos craques indo embora, nossos torcedores morrendo em estádios que se esfarelam e nossos grandes clubes sucumbindo a administrações temerárias. A Copa de 2014 começou mal para o Brasil, mas ainda temos tempo de sobra para virar esse jogo.


enviada por Lucinho



21/05/2007 22:17
O Fim da Imunidade Parlamentar
Lúcio Mauro Filho

Nos últimos dias, graças a discussão a respeito do plebiscito sobre o aborto, me pus a refletir sobre a questão do plebiscito em si. Num país onde votamos de dois em dois anos para escolher nossos representantes, evocar um referendo só faz sentido se o assunto for realmente de interresse nacional.
Não que o aborto seja um tema menor, longe disso. Perdemos milhares de vidas todos os anos nesses verdadeiros açougues, aonde muitas vezes, meninas que mal chegaram à adolescência tentam resolver o problema de se colocar mais um ser humano num país onde as chances de se viver com dignidade são cada vez menores.
Depois pensei na CPMF, que nos “entubaram” durante todos esses anos e que governo nenhum quer abrir mão. Temos também a discussão da liberação das drogas, da maioridade penal, as células tronco, enfim, vários assuntos que poderiam sugerir uma consulta popular.
Quando veio o referendo das armas, confesso que fui totalmente contra. O nosso problema com as armas não tem a ver com a facilidade de obtê-las por meios legais. O problema tem a ver com contrabando, falta de fiscalização e poder paralelo. E isso, plebiscito como o que fomos obrigados a participar não resolve.
Que assunto então, mais interessa ao povo brasileiro ser consultado?
Na minha opinião, o fim da imunidade parlamentar.
É sobre isso que o povo deveria ser consultado. Se nós eleitores deveríamos ter o direito de processar na justiça comum aqueles que recebem salários e benefícios para legislar para o povo.
A imunidade parlamentar está destruindo o nosso congresso. Vários bandidos roubam ainda mais, para ganharem um mandato e se verem livres da justiça comum. E no STF todos sabem o quer acontece. Nenhum deputado jamais foi condenado pela instancia máxima da justiça brasileira.
Conhecendo alguns políticos como conhecemos, é o que se pode chamar de vergonha nacional.
Não adianta PAC, PDE ou qualquer outra sigla se não tivermos um congresso sério.
E nunca teremos um congresso sério, se tivermos bandidos lá dentro, interessados apenas em brecar votações por barganhas. Se tivermos mensaleiros, sanguessugas, anões e outros que renunciam para voltar depois, graças a ignorância do povo e do poder do dinheiro.
Não adianta o Risco-Brasil ser o menor da história, nem a economia brasileira avançar para os que vêem de fora, enquanto aqui dentro tivermos um câncer na instituição mais importante do país. Não dá mais.
A partir do momento que os parlamentares não tiverem foro privilegiado, uma reação em cadeia acontecerá em todas as instancias do poder.
Vai ser um choque, com certeza, mas infelizmente o Brasil não vai pra frente se não for desse jeito.
Afinal de contas, nossos congressistas decidem para onde vão os investimentos do país.
E no momento eles só conseguem investir na causa própria. A de perpetuar um sistema injusto onde educar significaría abrir os olhos do povo e não existe interesse algum que o povo seja bem informado.
Está lançada a minha campanha pessoal. Vamos abrir blogs, comunidades, ongs ou seja lá o que for. Vamos recolher um milhão e meio de aassinaturas para poder um dia, processar todos os canalhas que estiverm lá. Se não daqui a pouco, além de ferrar com agente, eles também nos processam, como querem fazer com o Jabor.

publicado em O Globo On Line em 16/05/2007
http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2007/05/16/295778703.asp
enviada por Lucinho



01/05/2007 23:27

Sejam Benvindos!!!

Nesta nova temporada de "A Grande Família", estamos recebendo reforços de peso!
Evandro Mesquita como o hilário mecanico "Paulão" e a talentosa e querida Natália Lage como a abusada "Gina", a nova namorada do Tuco.
Sejam muito benvindos queridos amigos. A casa é de vocês!



enviada por Lucinho



16/11/2006 00:19
Onde Mora a Esperança?

Chegou a hora de curtir a maior ressaca dos últimos tempos da história política nacional.
De um lado a vitória da petistada desavergonhada, do outro, a tristeza da tucanada desarticulada e no meio disso tudo, o coitado do eleitor. Coitado por ter assistido pasmo a alguns dos piores momentos da recente democracia brasileira.
É a eleição do conformismo. Conformismo com a corrupção que caminha a passos largos para tornar-se a pior mazela da nossa nação.
Pior do que a falta de saúde. Pior do que a falta de segurança. Pior do que a falta de emprego ou a de educação. Pois no final das contas, todas elas são filhas da corrupção.
Quando um político está mais preocupado com quanto vai sobrar do que foi pago por uma ambulância, a saúde é derrotada pela corrupção. Quando a polícia negocia abertamente o arreglo pago pelo trafico, a segurança é derrotada pela corrupção. Quando as estatais viram moedas de troca e os gabinetes apinhados de afilhados, o emprego é derrotado pela corrupção. Quando governo investe em programas assistencialistas em vez de investir na qualidade do ensino, a educação é derrotada pela corrupção.
É por isso que a nação sai derrotada nessas eleições.
Por que o presidente em quem depositamos nossas esperanças, veio dizer que “é isso aí”. Que nesse país sempre foi assim e por ele e seu partido, continuará sendo.
É duro para quem votou quinze anos no Partido dos Trabalhadores, ver a militância de cabeça baixa, se justificando por estar votando no Lula, quase se desculpando pelo voto.
Não foi pra isso que nós o elegemos. Não era isso que esperávamos do PT. Seus quadros mais admirados foram quase todos envolvidos em escândalos de corrupção. E depois de uma quarentena, apostaram no julgamento das urnas e se deram bem. Se deram bem porque o eleitor se conformou com a corrupção. Porque o presidente reeleito deu demonstrações explícitas de que temos que aceitar a corrupção como um mal necessário, visando um projeto maior de país. Só que ninguém apresenta o projeto. E não apresenta por que não existe jeito de um país grande e rico como o Brasil crescer e se modernizar, se seus governantes e seu povo forem tão coniventes com a corrupção.
Algumas das nossas instituições mais sagradas foram desmoralizadas pela corrupção dos últimos quatro anos. Banco do Brasil no valerioduto. Correios no caixa-dois. Caixa Econômica Federal no caso Francenildo. Tudo com aval e consultoria do ministério da Justiça. Que exemplo bom de relacionamento institucional ficou deste primeiro mandato? Poucos para serem citados.
Num país onde o presidente faz vista grossa à corrupção e a oposição não bate com tanta força porque tem telhado de vidro, só resta ao povo se unir e com todo o empenho dizer um não bem alto pra isso tudo. Não foi dessa vez.
Ou o brasileiro começa a se questionar sobre valores éticos e cobrar com veemência respeito e moralidade dos nossos políticos, ou como dizia o profeta Raul Seixas, “a solução é alugar o Brasil”.
Não estou falando de raiva, de mágoa ou rancor. Estou falando de vigilância. Precisamos ser muito vigilantes nesses próximos quatro anos. É o nosso futuro que está em jogo. Quando um Fernando Collor volta no senado, um Maluf é o mais votado e até Clodovil pleiteia a presidência do congresso, é por que o partido e o presidente “da esperança” escancararam a porteira.
É nessas horas que o eleitor desiludido vota em qualquer sem-vergonha. E os sem-vergonha-na-cara estão voltando aí. Vários que chafurdaram na lama, tomaram banho de voto e estão voltando limpinhos para a imunidade parlamentar.
Alguns poucos receberam a punição do eleitor.
É aí que mora a minha esperança.

Lúcio Mauro Filho
Rio, 29 de outubro de 2006.



enviada por Lucinho



08/10/2006 03:59
Meu Querido Paulo Betti

Há dias venho sendo incitado a refletir sobre a condição do artista enquanto formador de opinião. O caso do meu querido Paulo Betti, colocou mais uma vez em questão a posição de nós artistas em relação à coisa política.
Existem culturas que afirmam que a profissão de “Bobo da corte” foi a primeira expressão artística da história política das civilizações. Pode até ser verdade.
Mas é preciso diferenciá-la de uma coisa muito mais antiga. O senso de humor.
Esse nada tem a ver com o de oportunidade, o de justiça ou mesmo o do ridículo.
O senso de humor permeia a convivência de todos e de vez em quando, nos trai.
Para nós artistas, não importa, pois é com ele que ganhamos o nosso trocado sem precisar meter a mão na merda.
Somos palhaços no melhor que a palavra possa representar, mesmo que sirva de ofensa a quem não representa. E ser palhaço com orgulho, é saber que não importa que se perca o senso, o que importa é não perder a piada.
Acabei de conviver com o Paulo Betti, em função da nossa profissão.
E me orgulho de ter aprendido um pouco mais sobre tudo com um ser humano tão brilhante e imperfeito. Como eu, como você, como todos.
Não existe Lei-do-Paulo-Betti.
Assim como não existem palhaços na política. Existem corruptos, criminosos, sanguessugas e etc.
Só quem realmente está por perto sabe o tamanho da indignação do próximo.
O resto é política.
Quanto ao engajamento da classe artística para com qualquer coisa, sugiro cautela.
“Merda!” é nosso grito de incentivo.
Mas os estranhos podem interpretar de outra forma.

Lúcio Mauro Filho, 26 de Setembro de 2006.

enviada por Lucinho



23/08/2006 04:36
Meu Filho Abriu a Cabeça
Lúcio Mauro Filho

Ontem à noite, meu filho abriu a cabeça. E como pai zeloso que devo ser, entrei rapidamente numa espiral de pensamentos a respeito de como agir nessas circunstâncias. Estava no meio do casamento de meus amigos Maria Carmen e Dartagnan, dançando, celebrando, enfim, abrindo a cabeça.
De repente uma ligação. Era minha mãe:
-Meu filho. Seu filho abriu a cabeça.
O tom da vovó no celular sugeria que o ferimento era coisa pra hospital. Desliguei o telefone e comecei a tomar as primeiras providencias. Tudo com muita elegância e desespero. Avisei para a mãe da criança que rapidamente entrou em pânico. Avisei aos caronas que se prontificaram a seguir conosco na aventura e bolei a tradicional saída à francesa com toques de désespoir.
Na porta, a fotografa da revista de celebridades pediu:
-Uma foto do casal!
Nós estávamos com umas caras ótimas, imagine! A assistente da fotografa, muito gentil, se ofereceu para segurar meu terno. Pena que todos os meus documentos tenham caído no chão. Enquanto esperava o manobrista trazer o carro, comecei a me lembrar da época em que eu abri minha cabeça. Comecei a pensar em como os meus pais também ficaram preocupados. Tentando descobrir como agir nessas circunstancias, porque afinal de contas a verdade é essa. Uma hora ou outra, seu filho vai abrir a cabeça.
Eu passei um tempo abrindo a minha. Numa época em que não existiam os celulares, o único aparato de contato era o telefone publico da pracinha de São Tomé das Letras. E meus pais lá, com a paciência que todo pai deve ter.
Isso tudo me acalmou. O carro chegou. Entramos no cock-pit e depois de descer quatro curvas, meu amigo Marcelo sugeriu:
-Lucio? Faz a manobra.
Só então percebi que estava descendo de ré. Entrei numa garagem, fiz a volta e desci. Desci o Itanhangá, a Barra, São Conrado, tudo numa talagada só. Liguei de novo para minha mãe e agora com mais calma, perguntei o que havia acontecido. Um quadro caiu na cabeça da criança e o buraco pedia um remendo.
Já estávamos em Ipanema. Pedi para a minha mulher esperar no carro e subi na casa dos meus pais para pegar meu filho. Cheguei tentando simular uma cara de “gente, a vida é assim mesmo”. Quando entrei no quarto, estavam todos atônitos. Meu pai em pé na beira da cama, com a camisa do Botafogo. Foi a primeira vez na minha vida que eu vi meu pai sem palavras. Minha mãe estava agarrada ao neto, segurando uma gaze no ferimento. Ninguém tinha culpa de nada, mas o amor que sentem pelo neto é tanto, que eles se perguntavam o porquê daquilo estar acontecendo justamente ali e com eles.
Meu filho me olhou e balbuciou:
-Ta doendo.
Além de não estar chorando, sua serenidade característica indicava que era ele que estava acalmando os avós.
Tirei a gaze e olhei o buraco. Era realmente grande e fundo. Principalmente para aquela cabecinha, daquele serzinho que é só a coisa que eu mais amo nesse mundo. Segurei a emoção, o botei no colo e desci. No elevador ele se olhou no espelho. Eu perguntei se tava tudo bem e ele respondeu:
-Ta doendo.
Entramos no carro, o coloquei no colo da mãe, que estava em transe, esperando para ver o filho com a cabeça aberta.
Peguei o Corte(do Cantagalo!) e adentrei Copacabana rumo ao Copa D’or. Em nenhum momento ele reclamou de nada. Chegamos ao hospital com aquela beca de casamento. As pessoas sentadas na espera viraram suas cabeças para ver o cara da televisão que parecia estar gravando um comercial da Amil, todo produzido. Enquanto minha mulher entrava na emergência com meu filho, fui fazer a parte burocrática que cabe a todo pai nessas horas. Terminei a papelada e fui lá saber do estrago. Seriam seis pontos e a agulha da anestesia era gigante. Ficamos lá segurando nosso filho com cuidado enquanto o cirurgião preparava a sutura.
Nunca imaginei que fosse passar por aquela situação tão cedo.
Em vinte minutos tudo se resolveu. E os médicos do plantão começaram a vir, um por um, pra conhecer a tal criança de quase três anos que tomou seis pontos na testa e estava rindo, acalmando seus pais.
Nunca mais vou esquecer esse dia. Nem minha mulher. Nem minha Mãe.
Até porque no meio dessa confusão deu meia-noite e começou o dia das mães.
No caminho pra casa ele pediu sorvete de Morango. Quando chegamos, disse que queria ver o filme do Leitão. No desenho, o bicho é dublado pelo padrinho dele. Quando o leitãozinho começou a falar, ele sorriu e dormiu.
Com tantos pais, mães, avós, padrinho, percebi que a vida estava querendo dizer “Tá tranqüilo”.
Mesmo com quadros voadores que caem por aí, pais, avós e padrinhos sempre estarão lá para cuidar da questão.
Meu filho me abriu a cabeça. Mais uma Vez!


enviada por Lucinho



03/07/2006 00:58
A Cara do Brasil
Lúcio Mauro Filho

Nada com mais cara de Brasil do que a nossa seleção. Pode parecer redundância, mas a verdade é que nunca um time pareceu tanto com o seu país como esse que melancolicamente despediu-se dos gramados germânicos. Parecidos no quesito ilusão e mais ainda na conseguinte desilusão, provocada em todos aqueles que acreditaram na esperança, no sonho, na mágica.
Nosso presidente entrou em campo empunhando bandeiras de super-ética, desenvolvimento, avanço social. Quando o jogo começou os torcedores não entenderam nada. Tudo aquilo que havia sido pregado nas eliminatórias eleitorais, toda aquela ousadia, tudo foi substituído pela continuidade do modelo anterior.
Assim como a seleção na hora H voltou para a caretice do antigo modelo Parreira, o governo PT, na hora H, manteve a caretice do nem tão antigo modelo FHC.
As seleções de Parreira e Lula se encontram em mais um interessante paralelo. A influencia negativa e decisiva do marketing.
Amparado por um delirante esquema publicitário o presidente se elegeu fazendo um discurso, mas quando entrou em campo mudou de idéia. Começou a impor uma tática confusa de assistencialismo populista e servidão ao mercado externo. Isso era tudo que agente não esperava. Manter as taxas de juros? Aumentar carga tributária?
O FMI festejou e o presidente virou uma celebridade internacional. Tudo que ele falava o pessoal adorava. Sua vaidade foi chegando a um limite perigoso. O da soberba.
A torcida se decepcionou.
Amparada num também delirante esquema publicitário, a seleção chegou à copa empunhando bandeiras de magia, genialidade e ousadia, mas quando entrou em campo mudou de idéia também. Tentou impor uma tática confusa de jogadores-celebridades intocáveis que se deram ao luxo de recuperar ritmo de jogo em partida de Copa do Mundo. O técnico dizia que estava indo tudo bem, mas a torcida desconfiou. Não era aquele time que tinha sido eleito mágico. Aquele era o modelo anterior que agente já conhece e nunca gostou. Mas o marketing não nos deixou enxergar o que estava acontecendo. Pode ser que tenha entrado em campo a seleção do Banco Santander ou a da Bhrama talvez. Só sei que a Brasileira, a original, essa não apareceu. As nossas celebridades em plena final de temporada européia e com pouquíssimo tempo para se concentrar pra Copa, começaram uma desenfreada ponte aérea que por muitas vezes atravessou o Atlântico, para cumprirem seus muitos compromissos publicitários.
Espalharam posters por todo mundo, fizeram treinos com ingresso pago, badalação da mídia, invasão de torcedoras no campo. Eles subiram no salto. A vaidade chegou a um limite perigoso. O da Soberba.
E assim nós perdemos a Copa. O Ronaldo tinha que jogar sempre por que é o Fenômeno. O Cafú porque é o recordista. O Roberto Carlos porque é o único lateral que foi candidato a melhor do mundo. E o comandante Parreira blindando todo mundo com o seu pragmatismo de resultado. Não importa jogar feio, o que importa é ganhar. Perdeu.
Com o presidente é parecido. Quando é questionado por seu pragmatismo de resultado, tão semelhante ao do governo anterior, o comandante vem com números e comparações estatísticas. Diz que tá tudo bem, não se importa nem com o jogo feio do seu governo, pois o que importa é ganhar. Começou a perder.
Os jogadores do Brasil bajulando o craque careca Zidane antes da derrota é pinto perto dos camaradas do PT bajulando o publicitário careca Marcos Valério. O cara chutou pra tudo que é lado e a seleção do PT perdeu o controle do jogo. O presidente demorou a mexer no time. Blindou seu quadrado mágico, Dirceu-Palocci-Gushiken-Genoíno acreditando que eles fariam o milagre. Subiram no salto. Caíram um por um. Só sobrou o comandante.
As torcidas estão perplexas. A da seleção e a do governo PT. A decepção foi tanta que agente demorou a reagir. Copa agora só daqui a quatro anos. Eleição é daqui a quatro meses. Vamos ver quem vai prevalecer. O titular que decepcionou ou os reservas cheios de gás.

enviada por Lucinho






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